Ciclo de evolução da videira

Com a proximidade dos preparativos das vindimas nas quintas e com todos os cuidados a serem tomados para que a colheita seja o menos dispendioso possível, vamos tentar entender quais são os cuidados que devemos ter numa quinta para que os frutos reflitam no produto final.

vindima

A uva precisa de cuidados específicos para que sua saúde seja a mais adequada possível neste longo processo de transformação que seu mosto passará antes de descansar em barris de carvalho, tanques de inox ou garrafas. Um desses processos e talvez um dos maiores segredos de grandes vinhedos está numa tradição que cada quinta e seus produtores e vitivinicultores prezam e os guardam a sete chaves: a poda.

A uva precisa de hibernação, que ocorre no inverno a baixas temperaturas. Geralmente em torno de 0º Celsius, quando o metabolismo da planta diminui muito, quase cessando completamente.

Depois, chega a vez da floração, que acontece na primavera acompanhando o desenvolvimento vegetativo. A planta inicia a formação de flores que antecedem os frutos. Ventos fortes e geadas muito rigorosas podem ser prejudiciais nesta fase!

Logo, vem a frutificação e o amadurecimento que é a atividade principal do verão. Necessita de uma atenção especial em sua condução que permita uma boa exposição ao sol. Nesta fase temos que torcer para que não ocorra muitas incidências de chuva, o que poderia ocasionar um aumento de concentração de açúcares, levando ao apodrecimento da uva pela umidade.

A poda em si, em muitos casos, se divide em 4 partes:

A) Poda de limpeza, usualmente realizada antecedendo a poda de inverno, no fim do ciclo vegetativo, cortando parte dos galhos que serão excluídos mais tarde.

B) Poda de inverno, também chamada de poda seca, na fase de repouso ou hibernação, procede-se na eliminação dos ramos indesejáveis estimulando a formação de ramos mais produtivos e vigorosos.

C) Poda de verão, também conhecida de poda verde, realizada no correr da atividade vegetativa objetivando corrigir e conduzir os ramos na direção e forma mais convenientes.

D) Poda ou exclusão de cachos(debaste) que consiste no raleamento na formação dos cachos, também estabelece o número que se quer produzir por ramo, excluindo o excedente e consequentemente melhorando o rendimento. Para as uvas tintas esse debaste é feito quando começam a escurecer. Já os brancos, o fator principal será quando começar a se tornar mais macias e mudar levemente de coloração, ficando-se mais claras. Quanto menor o número de cachos, maior a concentração de elementos nos frutos. Portanto, quanto menor o rendimento, melhor será a qualidade do vinho!

Com um pouco de sorte, no final de Agosto, se houver alguma quinta planejando uma vindima um pouco mais cedo do que o habitual tentaremos nos ‘infiltrar’ em uma das várias quintas existentes aqui no Douro, em Portugal. Meu maior desafio será conseguir este furo de reportagem e gravar com nossas lentes hyper curiosas os cânticos, o pisar, o ambiente e o entusiasmo daqueles que fazem o árduo trabalho quase 100% manual nas difíceis encostas do rio Douro!

Não sei se sou capaz de aguentar esta acrobática tarefa, mas uma coisa posso garantir: ofereço de graça minha energia e minha sede para degustar aquilo que virá a ser um grande vinho português e, depois de uns goles e outros, quem sabe até arrisco um fado, uns cânticos e uns oh pá pra lá e uns vira vira pra cá…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

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Du vin rouge ou du vin blanc, monsieur?

Paris, França. Dia chuvoso, 12º Celsius e uma vontade imensa de degustar um Cabernet Sauvignon genuíno. E hoje, iremos conhecer um pouco mais de um concurso que praticamente todos os países produtores desta casta fazem todos os anos de boa vindima.

Não gosto muito de acreditar que produtos regionais podem ser ou ter as mesmas essências, adjetivos e características similares em outras partes do mundo. Portanto, para mim ao menos, um Cabernet Sauvignon melhor ao tradicional francês seria apenas uma questão de gosto. E isso eu não discuto nunca. Especialmente por esta casta retratar de melhor forma as características de cada solo onde foi plantada, cada Cabernet Suavignon leva seu DNA local, não sendo tão importante apontar a melhor.

A casta Cabernet Sauvignon é reconhecida por muitos, a rainha mãe dos tintos, com sua potência moderada, graciosidade, e aromas únicos. Nasce do cruzamento das castas Cabernet Franc com a Sauvignon Blanc, tendo seu nome aparecendo em registros antigos sobre a enologia em finais do século XVIII.

Geneticamente muito fértil e versátil, teve sua adaptação praticamente no mundo todo, imigrando com louvores para a América do Norte, Chile, muito usada em cortes no Brasil e aqui na Europa.

Beringer-Cabernet-Sauvignon-Knights-Valley-Reserve

E meio distraído aos concursos de melhor Cabernet Sauvignon do mundo, sei apenas que o vinho Beringer Cabernet Sauvignon Knights Valley-Reserva 2009 da Califórnia, recebeu 94 pontos pela revista de vinhos Wine Spectator e ocupou um excelente oitavo lugar no top 10 dos melhores do mundo do ano de 2012.

Quanto a mim, gosto mais da ideia de dar luz a minha taça e me levo até um dos acessos da torre Eiffel e faço um brinde à cidade mais romântica do mundo. Peço um brinde aos apaixonados, ao bom gosto, ao bom humor e ao amor, que chega assim sereno e inesperado e que nos faz brindar e sorrir sozinho.

Um brinde ao amor e a Paris, que me fez fechar os olhos e dizer assim bem baixinho:

Tim-tim…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

Would you like a cup of tea or a glass of wine, sir?

Londres, Inglaterra. Talvez a cidade mais cosmopolita do mundo, a que mais inspira influências, onde a hora do chá das 5 é o momento mais aguardado do dia. Adoro e me impressiono com Londres, suas ruas limpas, suas lojas, teatros, cultura a cada esquina e o rio Tâmisa logo ali, cortando ao meio a cidade que está sempre em movimento. Vamos conhecer hoje a loja de vinhos mais popular da capital inglesa, onde bons vinhos e bons preços caminham de mãos dadas à realidade econômica dos mortais.

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Inglaterra é um país que não tem um verdadeiro expoente em vinho tinto, apesar de terem trazido, meio que por acaso em uma estratégia marinheira, o vinho do Porto. Na capital britânica está localizada a menina dos olhos de qualquer Sommelier que, assim como eu, busca aumentar seu know how e expandir seus conhecimentos em uma das melhores escolas de enologia do mundo: a WSET(Wine and Spirit Education Trust), tendo como um de seus presidentes de honra ninguém menos do que a famosa escritora, jornalista e crítica de vinho Jancis Mary Robinson.

A Harrods Shop, trás ao mercado britânico exemplares de todo o mundo e ainda podemos degustar taças de vinhos por apenas 1 Pound, aproximadamente uns 3 reais! Poderá também comprar diversos souvenirs, pois a gigante loja tem tudo o que você precisa.

Devo confessar que Inglaterra não me traz um momento especial para vinhos. Sempre que venho à Londres tenho apenas vontade mesmo de apreciar os chás, gin tônicas e me agasalhar ao máximo por está sempre chovendo por aqui durante minhas visitas…

Existe um ditado popular muito famoso entre os executivos britânicos que diz: BUSINESS BEFORE PLEASURE!

Eu arriscaria cantando mais ou menos assim: I´m wandering around and around nowhere to go, I´m London London, London, so lovely so, I cross the streets without fear

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva

Decantação de Vinhos de Guarda

Daniel Miranda

Os vinhos de guarda são vinhos mais nobres que ficam por anos mantidos em adega até atingir maturidade para serem consumidos. Como o vinho é um ser vivo, ele cria sedimentos ao longo dos anos.

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Antes que esses vinhos sejam servidos, precisam ser decantados. Mas é sempre bom perguntar ao cliente se o mesmo gostaria que o vinho fosse decantado. O processo de decantação nada mais é do que separar o sedimento do líquido, passando a bebida para uma garrafa especial chamada decanter. Além de retirar o sedimento, essa técnica também permite que o vinho respire e libere seus aromas.

Vinhos jovens também podem ser decantados com o propósito de entrar em contato com o oxigênio para, também, liberar seus aromas.

Dependendo do vinho, a garrafa deve ficar na vertical até vinte e quatro horas antes da decantação para que os sedimentos desçam ao fundo separando-se do líquido.

O próximo passo é a abertura. Como a garrafa ficou por muitos anos fechada, temos que ter cuidado redobrado ao retirar a rolha para não partir. Por isso usamos dois tipos de abridores: o comum e o de pinça.

Após a abertura uma pequena dose em torno de trinta a cinquenta ml é servida no decanter para ambientar o vinho no recipiente. Esta dosagem é utilizada como prova do sommelier que em seguida dará continuidade ao processo.

Uma dica: Decantar um vinho de longa guarda, como um grande Bordeaux, com seus quinze, vinte anos, pode ser um enorme risco. Devido ao tempo o vinho já evoluiu e está mais fragilizado, podendo “morrer”se ficar no decanter por muito tempo. O ideal é decantar somente para eliminar os sedimentos existentes e servir de imediato, evitando que permaneça por muito tempo em contato com o processo de oxigenação. Já vinhos mais delicados e de grande complexidade aromática, como um Pinot Noir da Borgonha, por exemplo, podem perder toda a sua exuberância no processo. neste caso é melhor não decantar.

Vinhos nobres são servidos lentamente em pequenas quantidades, para que possam ser degustados aos poucos. Dois a três dedos no máximo por taça. São vinhos em geral caros e não podem ser desperdiçados.

O principado do Vinho

Roma, Itália. Hoje, onde talvez o poder da Igreja Católica fez a maior de todas as fermentações possíveis em torno do vinho. Aonde qualquer opositor jamais triunfou sobre essas muralhas tão antigas quanto o real significado do vinho para os sacerdotes do templo. O principado de Roma e a história com o vinho é marcado de contos dignos dos melhores filmes de guerras medievais, de ocupações de exércitos, bárbaros guerreiros e imperadores que dominavam a arte dos conflitos e travavam suas próprias guerras pessoais.

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O vinho romano serviu para ‘lavar’ e limpar o quê a força das espadas do exército de tantos ‘Césares’ e tantos ‘Alexandres’ marcaram com suas passagens em terras estrangeiras marchando sobre imunidade ‘santa’.

Mais preocupados com suas ocupações expedicionárias e suas guerras quase que em todo continente europeu, o vinho feito em Roma representava apenas mais uma forma de expressar suas ideologias cristãs. Tido muitas vezes como o causador de inúmeras deselegâncias cometidas por Pio X, o Papa controverso e boêmio, o vinho produzido pela Igreja no século X e XII praticamente nada mais era do que o resultado da prensa das uvas e uma única fermentação de seu mosto em caves úmidas em baixo dos templos.

O vinho romano conheceu o apogeu de sua produção quando deixou de ser exclusividade da Igreja e começou a virar moeda de troca. Numa visita a Roma de hoje, são verdadeiras disputas pela atenção de cada turista dos inúmeros grupos de pequenas empresas que, muitas vezes, usam o nome da Igreja para venderem passeios turísticos com promessas de vermos até o salão privado de chás do atual Papa.

Aproveitando a escolha do novo Líder cristão, em sua homenagem procuro um bom Malbec  e degusto pensando que se o novo Papa por eleição é bem mais meu ‘vizinho’ que jamais pensei que algum deles fosse um dia, desejo boa sorte. E sempre pensando na possibilidade de algum dia termos um representante como ‘guia’ católico nascido em solo brasileiro. Caso contrário, depois de Messi, Maradona e Francisco, ficará muito difícil disputar com eles.

Ainda bem que a Caipirinha é nossa, o Caetano também, João Bosco é maravilhoso, Djavan é brasileiro e o Samba não tem nada a ver com o Tango de Buenos Aires, Amém!

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.