O Fado que ouvimos e o Vinho que bebemos

O Fado é parte da alma lusitana, nasceu nas tabernas do século XIX e é símbolo da cultura portuguesa. Cantado por vozes tanto masculinas quanto femininas, acompanhados de guitarra portuguesa, recentemente foi eleito patrimônio mundial cultural da nação.

fado

Trilha sonora das belas paisagens de Portugal conta também um pouco da história de um povo antigo que escreveu na força e coragem o rumo de uma nova nação, com o fim do condado portucalense e o início do Reino de Portugal em longevos 1139.

Uma visita a Portugal sem conhecer o Fado e suas notas melancólicas, mesmo quando cantam o amor, a conquista ou a cultura em si, seria melhor dizer que não conheceu esse pequenino País rico em cultura e história.

O vinho e o cultivo da vinha conheceu aqui a região demarcada apenas para cultivo de uvas mais antiga do mundo quando, o Conde de Oeiras Sebastião José de Carvalho e Melo, o então Marquês de Pombal, ordenou demarcar toda a região do Douro e protegê-la em 1756 para a produção vínica.

Herdada dos romanos a aptidão para o cultivo de uvas, abençoado com solo e “terroir” propícios de norte a sul do país e mesmo nas ilhas produzindo um vinho único em terras vulcânicas, como o conhecido vinho da Madeira, Portugal ocupa lugar de destaque entre os maiores produtores mundiais, consumo per capita e exportações de seus produtos vínicos.

No Brasil o consumo per capita chega próximo dos 1,9 litros ao ano, aqui os portugueses consomem algo em torno de 47,6 litros por ano, sendo um País com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Números assim me levam a crer que no ambiente do vinho, mais do que produção e consumo, a história do seu povo em si acaba fazendo enorme diferença nos resultados finais. A uva que teve seu cultivo quase que em toda Europa em mesmo período de tempo, encontrou nesses povos antigos várias maneiras de serem domadas, virando símbolo de riquezas, moeda de troca e fomentando a sede de impérios que hoje viraram grandes mestres na arte de fazer bons vinhos.

Penso que o vinho de cada país produtor tem a qualidade que a história de seu povo carrega ao longo dos anos, pois eu nunca aponto para um vinho e o digo que não é bom, pois pra mim não existe vinho ruim e sim países com pouca tradição, clima adequado, história ou experiência com o vinho.

No Brasil onde a produção tem visto grandes mudanças e descobertas de áreas novas para cultivo de uvas e novas medidas de incentivos para o aumento de consumo, penso que assim como nossa economia deu um salto, nossa história com o vinho começa a ganhar um novo capítulo a ser contado. Quanto a questões de vinhos espumantes, produzimos simplesmente um dos melhores espumantes do mundo e em nosso gentil solo de abundâncias, estou certo que vivemos um momento promissor para um país de clima tropical. E, assim como numa relação de amor a história dos envolvidos, as experiências vividas, o carinho, o zelo e a fidelidade no trato devem andar de mãos dadas aperfeiçoando a relação ano após ano.

Quando alcançarmos a maturidade da colheita em nossas vindimas, podemos até mesmo ao som de um belo Samba Carioca, sermos mais alegres do que tristes. Como diz a nossa bela canção de Vinício de Moraes “Afinal, a alegria é a melhor coisa que existe!”

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva

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Mudar a muda para mudar o Vinho

Com as mudanças significativas do clima para produção de vinhos especiais como o vinho do Porto e espumantes, algumas medidas estéticas agrícolas estão sendo estudadas para melhor responder as mudanças climáticas apresentadas todos os anos.

Engenheiros agrônomos, biólogos e enólogos trabalham com afinco para descobrir melhores métodos para a areação da vinha, exposições solares, adubação do solo, inclinação dos bagos e até mesmo novas técnicas de “podas” para uma melhor fotossíntese próximo das vindimas.

O fator “clima e Terroir” continuará sempre a maximizar grande porcentagem na qualidade de bons vinhos e espumantes e caberá ao Homem o trabalho de “lapidar” aquilo que a Natureza nos presenteia em estado bruto.

Em Portugal a empresa líder no mercado brasileiro em vinho do Porto, a Ramos Pinto, apresentou-nos recentemente sua nova estratégia no cultivo e cuidados com a vinha. A Empresa que exporta seus produtos para 85 países já conta com 12 hectares de Quintas em testes.

Sua nova abordagem de cultivo consiste em precaver a menor perda de água possível da vinha nos verões, marcados com grande seca e baixo volume de água das chuvas. Em média 100 litros por metro quadrado na região do Douro, o que é muito pouco.

Portanto, a solução encontrada foi reduzir o tamanho dos arbustos da vinha, fazendo a “esponta” mais baixa para que haja menos área de folha e logo, menos área de perda de água por evaporação. Assim, causa uma maturação mais lenta e num princípio de análise, se a maturação é mais lenta, tende o vinho a ser melhor.

Outras formas mais comumente usadas é a plantação de castas mais resistentes a secas nas vinhas novas, como a Touriga Nacional e a Touriga Francesa, evitando perdas consideráveis. Em um cultivo de vinhas, ter perdas menor do que 25% do total produzido já é muito bom.

Penso que na produção de vinhos nem sempre ‘perder’ significa negativo, especialmente se as uvas apresentadas nestas novas técnicas mostrarem uma boa evolução com o tempo tanto em garrafa quanto em tanques inoxidável. Concluo que quanto melhor for a evolução desses vinhos em seu período de estágio podemos nos surpreender com vinhos que assim, como ‘quase’ sem querer, nascem “Vintages” excepcionais!

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.