Du vin rouge ou du vin blanc, monsieur?

Paris, França. Dia chuvoso, 12º Celsius e uma vontade imensa de degustar um Cabernet Sauvignon genuíno. E hoje, iremos conhecer um pouco mais de um concurso que praticamente todos os países produtores desta casta fazem todos os anos de boa vindima.

Não gosto muito de acreditar que produtos regionais podem ser ou ter as mesmas essências, adjetivos e características similares em outras partes do mundo. Portanto, para mim ao menos, um Cabernet Sauvignon melhor ao tradicional francês seria apenas uma questão de gosto. E isso eu não discuto nunca. Especialmente por esta casta retratar de melhor forma as características de cada solo onde foi plantada, cada Cabernet Suavignon leva seu DNA local, não sendo tão importante apontar a melhor.

A casta Cabernet Sauvignon é reconhecida por muitos, a rainha mãe dos tintos, com sua potência moderada, graciosidade, e aromas únicos. Nasce do cruzamento das castas Cabernet Franc com a Sauvignon Blanc, tendo seu nome aparecendo em registros antigos sobre a enologia em finais do século XVIII.

Geneticamente muito fértil e versátil, teve sua adaptação praticamente no mundo todo, imigrando com louvores para a América do Norte, Chile, muito usada em cortes no Brasil e aqui na Europa.

Beringer-Cabernet-Sauvignon-Knights-Valley-Reserve

E meio distraído aos concursos de melhor Cabernet Sauvignon do mundo, sei apenas que o vinho Beringer Cabernet Sauvignon Knights Valley-Reserva 2009 da Califórnia, recebeu 94 pontos pela revista de vinhos Wine Spectator e ocupou um excelente oitavo lugar no top 10 dos melhores do mundo do ano de 2012.

Quanto a mim, gosto mais da ideia de dar luz a minha taça e me levo até um dos acessos da torre Eiffel e faço um brinde à cidade mais romântica do mundo. Peço um brinde aos apaixonados, ao bom gosto, ao bom humor e ao amor, que chega assim sereno e inesperado e que nos faz brindar e sorrir sozinho.

Um brinde ao amor e a Paris, que me fez fechar os olhos e dizer assim bem baixinho:

Tim-tim…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

Até o lavar dos cestos é Vindima

Em um ano em que a meteorologia nos pregou uma partida em quase todo o continente europeu, a produção de vinho em Portugal deverá ter um crescimento por volta de 5,8 ou 5,9 milhões de hectolitros. Um crescimento de aproximadamente de 4 a 5% apenas, enquanto no final do ano passado tivemos algo em torno de 20%.

Esta performance depende muito do bom tempo até o final da vindima, a qual, por norma, está há duas ou três semanas atrasadas.

No Alentejo, prevendo com antecipação um pouco de perda em sua produção anual, há quem já esteja vindimando, mesmo um pouco fora do calendário das colheitas.

Essas chuvas e temperaturas baixas prejudicam a fecundação na região demarcada dos vinhos verdes, o Minho. Com o céu sempre nublado, impede muito o processo de fotossíntese da vinha.

No Douro, onde se chegou a prever um aumento de 20%, os números agora são mais modestos. Apenas 5% de crescimento, embora, haja zona cuja produção foi, em grande parte, destruída com a forte chuva de granizo no final de julho passado.

Seguindo em caminhos um pouco mais tranqüilos, está o vinho do Porto. Com aproximadamente 11 mil Pipas a mais do que o ano passado, a produção deverá chegar as 96. 500 Pipas.

Logo, essa soma de fatores tão importantes na natureza, clima, temperatura, Terroir, associada com as expectativas de mercado, produção, manipulação benéfica do Homem, torna essa magia em torno da elaboração dos vinhos a prova que, se houver uma sintonia equilibrada entre Homem, natureza e ciência, tudo é possível, tudo se transforma.

Julgo ser de extrema importância tentarmos entender melhor dados como estes e aplicarmos na nossa leitura final como consumidores. Não apenas fazendo diferenças entre vinho caro e vinho barato. Pois existem várias dinâmicas e fatores essenciais ao produto final encontrado nas prateleiras de lojas especializadas, Adegas, mercados, grandes distribuidoras espalhadas mundo afora. Até por fim, na dose mais desejada em nossas casas sozinho, ou, de preferência, bem acompanhado.

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.