Engraja: um futuro sustentável

Daniel Miranda

Você já ouviu falar no Engraja? Criado por Diego Fonseca, morador do bairro Grajaú – Zona Norte do Rio – este movimento sustentável já mobilizou centenas de moradores. Em um bate-papo, Diego nos contou como surgiu esta ideia e seus planos para o futuro. Veja e embarque nesta comunidade!

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O que é o Engraja?

R: Para resumirmos em uma frase, diria que o Engraja é um movimento que visa engajar grajauenses para um futuro sustentável. E quando falamos de sustentabilidade, englobamos conceitos como cooperação, cocriação e conexão. Mas, além disso, desejamos que o Engraja se torne uma poderosa ferramenta de facilitação para tangibilizar intenções de transformação positivas; que por meio da inovação social possamos empoderar e conectar toda essa comunidade visando constituir seu próprio poder de resiliência. Repartir a responsabilidade entre seus próprios integrantes e beneficiar ninguém e todo mundo ao mesmo tempo. Uma eterna e bem-sucedida relação ganha-ganha.

Como surgiu essa ideia?

R: O Engraja nasceu de maneira bem espontânea, através de uma oportunidade que me foi dada como ouvinte de uma disciplina do programa de pós-graduação da Coppe-UFRJ, ministrada pela professora Carla Cipolla, madrinha desse movimento. Tive a intenção de propor um projeto para o Grajaú, que foi muito bem recebido pela professora, a qual já tinha sido moradora do bairro por 20 anos. Durante esse projeto, foi realizado um processo precioso de investigação com várias entrevistas, observações, exercícios e workshops que me fizeram perceber que o bairro merecia mais que um projeto pontual; necessitava de um movimento que pudesse ativar e conectar essa comunidade, visando a um bem comum. Utilizar a conexão existente – em sua maioria direcionada para fins de lazer – para a transformação positiva do bairro.

Tudo isso aconteceu em dezembro do ano passado e, no início deste ano, reuni dois amigos moradores do bairro – Larissa e Benguelê –, e falei de um sonho possível, um projeto para a vida toda. Logo, transbordaram-me com milhares de ideias e oportunidades maravilhosas. Criamos a fanpage do Engraja em março deste ano; novos colaboradores abraçaram o movimento e o tornamos um caminho sem volta. Esperamos que sem fim!

Quem você pretende atingir? Apenas o bairro?

R: Nosso ponto de partida é o bairro do Grajaú e sua comunidade, mais especificamente, os seus moradores. Muitos de nós nasceram, cresceram e/ou moram aqui há muito tempo, e, por esse motivo, com observação e vivência do contexto, conseguimos vislumbrar uma oportunidade ímpar – e necessária – de poder iniciar esse movimento.

De qualquer maneira, sabemos que iniciativas dessa natureza costumam não possuir fronteiras, funcionam em rede. Portanto, se conseguirmos despertar ou incentivar um movimento similar, inspirar um gesto diferente por influência do Engraja e de maneira ainda mais abrangente, ficaremos muito orgulhosos. É como disse uma vez uma engrajada: “Acho que a roda do espelho positivo começou a girar.”. E que gire eternamente. Dentro e fora do Grajaú.

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O que o Engraja pode fazer para melhorar o dia a dia e os serviços?

R: Sempre digo que o Engraja nasceu para ser um grande laboratório social. Lá se coletam muitos insights, intenções e ideias para novas oportunidades, projetos e serviços. E quando falamos em serviços, falamos da economia atual, do dia a dia, que os têm como sua base. Os serviços são a base fundamental da troca. E essa troca e economia não existem sem pessoas, com e para quem o Engraja foi idealizado. Então, se pensarmos que o Engraja possui uma perspectiva fundamentada em pessoas − imprescindíveis para que um serviço ocorra −, podemos dizer que somos prototipadores de serviços em potencial. Oportunidades para cocriar serviços existem a todo momento, mas, antes disso, devemos criar algo muito mais complicado, que é essa cultura. O fato de enxergar que o valor de um serviço está, de fato, em seu uso − e não na sua posse. Por exemplo, a utilização média de uma furadeira na vida de uma pessoa varia de 6 a 13 minutos. Não podemos concluir que sua posse chega a ser irracional? Por isso é importante criarmos esse mindset na comunidade para que possamos entregar e criar serviços cada vez mais pertinentes e engajadores.

Há pouco tempo, lançamos nossa grande ferramenta de inovação social do Engraja: a EngrajaUrna. Com ela, pretendemos partilhar a responsabilidade sobre novas intenções, oportunidades de projetos e iniciativas, de modo que não criemos uma estrutura verticalizada irresponsável, na qual só o Engraja é responsável por uma possível transformação. Desejamos ver uma cultura ativa e responsável, fazendo com que as pessoas saibam o seu grau de importância e envolvimento durante o processo. E quem sabe não poderemos ver várias oportunidades de serviços sendo cocriadas quase que instantaneamente? Estamos muito ansiosos para ver todos esses encontros, prototipagens e trocas de ideias acontecendo. Separados por tema, essas reuniões serão feitas nos próximos meses. Boas notícias virão! É o que podemos prometer.

Quais são os planos para o futuro?

R: Os nossos planos são audaciosos. Desejamos facilitar o surgimento de uma comunidade conectada em que possamos cocriar, por meio dos próprios moradores, um poder de resiliência e responsabilidade comum. Esperamos que possam surgir muitas iniciativas interessantes e, por que não, serviços proprietários para podermos impactar positivamente o meio em que estamos inseridos?

É um processo gradual, que mexe com a inércia existencial de muitos cenários vigentes como o “ativismo de sofá” e o “conservadorismo do status quo”. Ele exige mudança, enxergar o mundo com novas lentes, por novas perspectivas. Aos poucos, realizando nossas ações, sentimos cada vez mais apoio e interesse das pessoas em construir e fomentar novos hábitos, por meio de uma cultura de impacto positivo. Vamos juntos!

Qual a maior dificuldade para a implementação de um projeto como esse?

R: Por mais atrativa e desejável que seja a iniciativa, como enxergamos o Engraja, muitas pessoas ainda ficam retraídas quando falamos sobre mudança e participação ativa. Criar e/ou mudar hábitos é algo muito peculiar e custoso, poucos os fazem com facilidade. De qualquer maneira, estamos em um cenário de constante questionamento de propósitos pessoais, de trajetórias profissionais… Será que o Engraja pode ser uma solução? Só saberemos com o tempo e é por isso que desejamos ser essa possibilidade, que irá colaborar para mudanças.

Nosso desejo, com a implementação desse movimento, é podermos, juntos, criar novos gatilhos para que as pessoas obtenham ótimas respostas, que as façam permanecer nesse loop de gratidão e bem-estar, que possibilitem vislumbrar que o desejo de uma comunidade interligada, ativa e que trabalha visando a um bem comum só depende deles. De todos nós. Até a criação de novos hábitos. Quem sabe?

Quem tiver interesse, como pode colaborar com o Engraja?

R: Estamos sempre inquietos pensando em novos projetos, ações e iniciativas cada vez mais “engrajadoras”. Porém, muitas vezes, faltam algumas estruturas para que consigamos divulgar e conectar ainda mais. Queremos pessoas com tesão por mudança! O que dizemos com orgulho é que sempre podemos contar com a preciosa ajuda dos colaboradores do próprio bairro, os famosos engrajados. Essa família será ainda maior e é por causa deles que o Engraja existe.

Portanto, estamos abertos para qualquer tipo de colaboração para cocriarmos um bairro mais desejável – e ainda mais irresistível. Mande um e-mail para nós –euengrajo@gmail.com – ou acesse a nossa fanpage – facebook.com/euengrajo – e, com certeza, nos veremos em breve!

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Sustentabilidade Hoteleira

Daniel Miranda

A sustentabilidade deixou de ser moda e passou a fazer parte do DNA de grandes empresas. E na hotelaria não poderia ser diferente. A logística reversa ou LR pode ser uma ferramenta a ser utilizada na busca de uma solução para problemas com resíduos gerados, bem como sua destinação para reaproveitamento ou reciclagem.

“Os fatores que mais motivam as empresas a se tornarem sustentáveis são: a sensibilidade ecológica, competitividade empresarial e a diferenciação da imagem corporativa” disse Hilton Gonzaga, proprietário da H2G Consultoria Ambiental.

Hotéis que implantaram programas de gestão ambiental, conseguem economia de até 30% em energia elétrica, 20% no consumo de água, 25% na geração de RSU (resíduos sólidos urbanos) e 15% no consumo de gás.

O Fluxo de LR reintegra materiais que podem retornar ao fluxo direto tradicional de
suprimentos, produção e distribuição. Os materiais que resultam
do fluxo reverso podem ser revendidos, recondicionados, retornar ao fornecedor,
reciclados ou serem descartados totalmente.

A natureza e a sociedade agradecem.

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Hotel de lixo

Uma simples idéia tem rendido generosas cifras para o empresário amazonense Moisés David Bicharra. ‘Sem querer’ ele pegou um nicho de mercado que, além de gerar economia para a empresa, ainda atrai clientes de várias partes do Brasil e até do exterior por conta do apelo ambiental. Trata-se do hotel de selva Amazonfish Tourism, um complexo que inclui, entre outras coisas, quadra de futebol, vôlei, restaurante, bar molhado e chalés. Tudo isso construído com produtos reciclados, sendo as garrafas PET as matérias-primas principais.
 O hotel, de 25 hectares, está localizado à margem direita do rio Negro, mais precisamente no município do Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). Esse é único ponto de referência que o proprietário admite informar, segundo ele, isso é uma estratégia para manter o hotel menos lotado possível, uma vez que a capacidade ainda é pequena. “Só recebo 100 pessoas. Quando lota, não tem mais como receber outros clientes. Essa é a nossa capacidade atual”, explicou Bicharra.
Um atrativo indispensável para a garotada, porém o que mais encanta as crianças, é a chegada ao hotel onde o proprietário faz questão de mostrar o viveiro, onde possui uma criação com varias espécies de peixes regionais e de todos os tamanhos. Um lugar mágico, onde poucas crianças têm o privilégio de ver de perto um pirarucu com mais de 2 metros de comprimento. Elas ficam ‘’loucas’’em ver como a natureza é exuberante, nessa hora pode perceber que os brinquedos do cotidiano são meros coadjuvantes e a atração principal fica por conta do espetáculo que somente a natureza pode proporcionar.
Para construir o complexo, que levou sete anos para ficar pronto, Moisés Bichara usou ainda outros tipos de material reciclado. Até mesmo o granito do piso do auditório para convenções e reuniões é reaproveitado. A madeira das estruturas das janelas é feito a partir de restos de alumínio e a tinta usada para pintar o telhado, que é de garrafa PET, é borra de material reciclado.
O mais curioso é que os chalés e as quadras de futebol ficam submersos, resultado da utilização das garrafas como uma espécie de ‘bóias’ de suspensão, a exemplo dos troncos de árvores que os caboclos amazonenses usam nas residências flutuantes.
Com tanta demora na construção, Bicharra não sabe sequer analisar o valor investido em cada detalhe do local. Talvez a resposta esteja na forma que ele encontrou para sair de uma vida ‘dura’ para hoje usufruir do produto de seu trabalho e persistência.