Tem menor não?

Daniel Miranda

Tenho certeza que você já passou por uma dessas.

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Hoje fui tomar café da manhã em uma lanchonete na Tijuca, antes de ir para o trabalho. Entrei na fila e, ao chegar minha vez, tive um tratamento super personalizado. A caixa gritou: “Próximo!”. Levei um susto, pois estava a dois palmos dela. Desejei um bom dia e tive como resposta um: “Vai querer o quê?”. Pedi um croissant e um suco de manga. “Só isso?”  respondeu. Disse que sim, que minha fome era de apenas um salgado. Ela me olhou, olhou, olhou e disse: “Quatro e noventa”. Abri minha carteira e entreguei uma nota de cinquenta reais. Imediatamente retrucou: “Tem menor não?” Disse que infelizmente não tinha. Ela fechou a cara como se fosse minha culpa o caixa não ter troco e ainda resmungou: “Esse povo que vem aqui só pra acabar com meu troco… “ Mais uma vez pedi desculpas. Ela me entregou o troco com a notinha para pegar o lanche e, antes que eu pudesse agradecer, já gritou: “Próximo!!!” . Será que o outro cliente passou por isso também ou o problema foi comigo mesmo?

Revertendo um mau atendimento

Daniel Miranda

Há duas semanas atrás fui almoçar em um restaurante no Leblon. Assim que me sentei, o garçom se aproximou e colocou o cardápio sobre a mesa. Pra que me entregar em mãos? Pra que fazer sugestões? Fiz minha escolha e tive que ficar sinalizando com a mão para que viesse tirar meu pedido, pois a calçada da rua estava mais chamativa ou interessante do que o salão do restaurante. Ele se aproximou, sem dizer uma palavra, apenas mexeu a cabeça dando a entender: “Fala aí…” Assim que fiz meu pedido, ele já virou de costas para levar a comanda até a cozinha. O chamei novamente e disse que queira pedir um refrigerante. Mais uma vez sem sair uma única palavra de sua boca, anotou o pedido e saiu. Voltou com o refrigerante e colocou sobre a mesa junto ao copo. Pra que abrir a latinha? Sei que deve dar muito trabalho. Agradeci por ter trazido a bebida e o que ele respondeu? Nada. Retribuir um agradecimento deve ser muito cansativo.

Em seguida trouxe o meu prato e apenas colocou na mesa, sem dizer o que estava sendo servido ou desejar bom almoço. Mais uma vez agradeci e o que ele me respondeu? Você já deve imaginar. No meio da refeição tive mais uma surpresa que nunca tinha visto antes: ele trouxe a conta antes que eu tivesse terminado. De duas uma: ele me odiou de primeira ou fiz algum mal à ele em outra vida e o mesmo voltou para se vingar. O chamei até a mesa e disse que não tinha terminado e muito menos pedido a conta. Que ainda pediria um café e uma sobremesa. Ele ofereceu abrir a conta novamente e eu, é claro, neguei.

Quando terminei, coloquei meu cartão dentro do porta-conta e o chamei. Ele praticamente ordenou que eu fosse até o caixa fazer o pagamento, pois estava ocupado com outras mesas. Seu pedido foi uma ordem. Me levantei, fui até o caixa e disse que não queria pagar os 10 por cento. A atendente, totalmente diferente do garçom, foi super amável e me perguntou como poderia me ajudar para reverter a situação. Assim que eu fui respondê-la, meu “amigo” se aproximou do balcão. Daí eu disse: “Seu amigo aqui não merece”. Ele ouviu e logo retrucou: “O que eu te fiz?” O grande problema foi o que ele não fez. E foi exatamente isso que disse pra ele. Não fiz isso por mal. Sei o quanto a taxa de serviço é importante para ele, pois já fui garçom. Fiz isso para que o próximo cliente que sentasse ali, não fosse tão mal atendido como eu fui.

Duas semanas depois resolvi voltar neste mesmo restaurante e lá estava ele. Sentei exatamente na praça onde estava trabalhando. Era final de semana, então estava trajando bermuda e usando óculos escuros. Com certeza ele me reconheceu. E para minha surpresa tive um excelente atendimento! Ele estava sorridente, fez sugestões, ofereceu bebidas e respondeu todos os meus agradecimentos. No final tirei os óculos e perguntei se ele lembrava de mim. Na hora respondeu: “Oi! Você é o cliente que atendi algum tempo atrás, certo? Muito obrigado por não ter pago os 10 por cento naquele dia. Só assim percebi que meu serviço não estava bom. Resolvi mudar e tem dado muito certo. Até minhas gorjetas aumentaram!” Fiquei muito feliz com essa mudança. Feliz também do fato dele ter entendido que servir sorrindo é bom tanto para o cliente, quanto pra ele. Hoje cito ele nos treinamentos como exemplo de atendimento.

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Decantação de Vinhos de Guarda

Daniel Miranda

Os vinhos de guarda são vinhos mais nobres que ficam por anos mantidos em adega até atingir maturidade para serem consumidos. Como o vinho é um ser vivo, ele cria sedimentos ao longo dos anos.

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Antes que esses vinhos sejam servidos, precisam ser decantados. Mas é sempre bom perguntar ao cliente se o mesmo gostaria que o vinho fosse decantado. O processo de decantação nada mais é do que separar o sedimento do líquido, passando a bebida para uma garrafa especial chamada decanter. Além de retirar o sedimento, essa técnica também permite que o vinho respire e libere seus aromas.

Vinhos jovens também podem ser decantados com o propósito de entrar em contato com o oxigênio para, também, liberar seus aromas.

Dependendo do vinho, a garrafa deve ficar na vertical até vinte e quatro horas antes da decantação para que os sedimentos desçam ao fundo separando-se do líquido.

O próximo passo é a abertura. Como a garrafa ficou por muitos anos fechada, temos que ter cuidado redobrado ao retirar a rolha para não partir. Por isso usamos dois tipos de abridores: o comum e o de pinça.

Após a abertura uma pequena dose em torno de trinta a cinquenta ml é servida no decanter para ambientar o vinho no recipiente. Esta dosagem é utilizada como prova do sommelier que em seguida dará continuidade ao processo.

Uma dica: Decantar um vinho de longa guarda, como um grande Bordeaux, com seus quinze, vinte anos, pode ser um enorme risco. Devido ao tempo o vinho já evoluiu e está mais fragilizado, podendo “morrer”se ficar no decanter por muito tempo. O ideal é decantar somente para eliminar os sedimentos existentes e servir de imediato, evitando que permaneça por muito tempo em contato com o processo de oxigenação. Já vinhos mais delicados e de grande complexidade aromática, como um Pinot Noir da Borgonha, por exemplo, podem perder toda a sua exuberância no processo. neste caso é melhor não decantar.

Vinhos nobres são servidos lentamente em pequenas quantidades, para que possam ser degustados aos poucos. Dois a três dedos no máximo por taça. São vinhos em geral caros e não podem ser desperdiçados.

A arte do mau humor

Daniel Miranda

Algumas religiões pregam:”Viemos à essa vida para cumprir nossa missão.” Se a minha missão for a que eu realmente estou pensando, precisarei reencarnar mais mil vezes! Porque eu passo o tempo todo trabalhando com algo tão fascinante que até já virou um hobby: a  hospitalidade, a arte do “bem receber”, do acolhimento.

Em dias de folga procuro conhecer novos restaurantes e bares, experimentar produtos e serviços. Mas que serviços? É algo que raramente consigo encontrar. Pra começar a noite, pego um táxi pra poder beber meus drinks. Ao entrar no carro, sou eu que digo “boa noite” e, claro, tenho como resposta do motorista o clássico: “Vai pra onde?”. Pra quê dizer “boa noite”, certo? Ao chegar ao destino somente ouço o valor da corrida. Sem agradecimentos ou coisa parecida.

Ao chegar ao bar ou restaurante, a hostess na porta também não retribui meu “boa noite”. Só sai da boca dela: “Tem reserva?”.  Isso quando os seguranças que mais parecem lutadores de MMA te encaram como o Anderson Silva encara o Sonnen. Já na mesa, não ouço sugestões. Os garçons parecem máquinas de entregar cardápios e tirar pedidos. Uma vez perguntei a um deles por que, em todas as vezes que repôs minha bebida, não retribuiu meu agradecimento: “Com licença, te disse “obrigado” umas quatro ou cinco vezes e nem ao menos ouvi um simples “de nada”. O garçom se sentiu super-ofendido com aquilo e, ao invés de reverter a situação com simpatia e amabilidade, resolveu não mais atender a nossa mesa. Uma pena, pois me considero um good tipper. Pra não falar a vez que pedi mais gelo e recebi a seguinte resposta: “Mais gelo?! Tá muito cheio aqui, assim você me quebra…”. Pode?

Quando saio pra jantar ou beber uns drinks com os amigos, não espero assistir uma aula sobre as principais castas ou as novas tendências da gastronomia. Espero apenas ter uma noite agradável, em que o prato acaba sendo um mero coadjuvante.
Sorrir não dói. Pelo contrário.

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As mais inusitadas cortesias dos hotéis

Hoje em dia, hotéis de todo o mundo fazem de tudo para agradar os hóspedes. Os “mimos” mais conhecidos são os amenities, muitas vezes personalizados. Alguns meios de hospedagem, visando um diferencial, vêm  investindo em cortesias não tão comuns.

Mordomo de perfumes

Que tipo de perfume a senhora gostaria?

 

 

 

 

 

 

 

Serviço de tatuagem

Qual cor o senhor prefere?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Wake-up call feita por uma celebridade

Gostaria de ser acordado pela Jessica Alba?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrega de alianças por corujas

Pra que pajem ou dama de honra?