Revertendo um mau atendimento

Daniel Miranda

Há duas semanas atrás fui almoçar em um restaurante no Leblon. Assim que me sentei, o garçom se aproximou e colocou o cardápio sobre a mesa. Pra que me entregar em mãos? Pra que fazer sugestões? Fiz minha escolha e tive que ficar sinalizando com a mão para que viesse tirar meu pedido, pois a calçada da rua estava mais chamativa ou interessante do que o salão do restaurante. Ele se aproximou, sem dizer uma palavra, apenas mexeu a cabeça dando a entender: “Fala aí…” Assim que fiz meu pedido, ele já virou de costas para levar a comanda até a cozinha. O chamei novamente e disse que queira pedir um refrigerante. Mais uma vez sem sair uma única palavra de sua boca, anotou o pedido e saiu. Voltou com o refrigerante e colocou sobre a mesa junto ao copo. Pra que abrir a latinha? Sei que deve dar muito trabalho. Agradeci por ter trazido a bebida e o que ele respondeu? Nada. Retribuir um agradecimento deve ser muito cansativo.

Em seguida trouxe o meu prato e apenas colocou na mesa, sem dizer o que estava sendo servido ou desejar bom almoço. Mais uma vez agradeci e o que ele me respondeu? Você já deve imaginar. No meio da refeição tive mais uma surpresa que nunca tinha visto antes: ele trouxe a conta antes que eu tivesse terminado. De duas uma: ele me odiou de primeira ou fiz algum mal à ele em outra vida e o mesmo voltou para se vingar. O chamei até a mesa e disse que não tinha terminado e muito menos pedido a conta. Que ainda pediria um café e uma sobremesa. Ele ofereceu abrir a conta novamente e eu, é claro, neguei.

Quando terminei, coloquei meu cartão dentro do porta-conta e o chamei. Ele praticamente ordenou que eu fosse até o caixa fazer o pagamento, pois estava ocupado com outras mesas. Seu pedido foi uma ordem. Me levantei, fui até o caixa e disse que não queria pagar os 10 por cento. A atendente, totalmente diferente do garçom, foi super amável e me perguntou como poderia me ajudar para reverter a situação. Assim que eu fui respondê-la, meu “amigo” se aproximou do balcão. Daí eu disse: “Seu amigo aqui não merece”. Ele ouviu e logo retrucou: “O que eu te fiz?” O grande problema foi o que ele não fez. E foi exatamente isso que disse pra ele. Não fiz isso por mal. Sei o quanto a taxa de serviço é importante para ele, pois já fui garçom. Fiz isso para que o próximo cliente que sentasse ali, não fosse tão mal atendido como eu fui.

Duas semanas depois resolvi voltar neste mesmo restaurante e lá estava ele. Sentei exatamente na praça onde estava trabalhando. Era final de semana, então estava trajando bermuda e usando óculos escuros. Com certeza ele me reconheceu. E para minha surpresa tive um excelente atendimento! Ele estava sorridente, fez sugestões, ofereceu bebidas e respondeu todos os meus agradecimentos. No final tirei os óculos e perguntei se ele lembrava de mim. Na hora respondeu: “Oi! Você é o cliente que atendi algum tempo atrás, certo? Muito obrigado por não ter pago os 10 por cento naquele dia. Só assim percebi que meu serviço não estava bom. Resolvi mudar e tem dado muito certo. Até minhas gorjetas aumentaram!” Fiquei muito feliz com essa mudança. Feliz também do fato dele ter entendido que servir sorrindo é bom tanto para o cliente, quanto pra ele. Hoje cito ele nos treinamentos como exemplo de atendimento.

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El Celler de Can Roca

Daniel Miranda

El Celler de Can Roca foi eleito o melhor restaurante do mundo no ranking com os 50 melhores da revista Restaurant. O título volta à Catalunha depois de três anos nas mãos do Noma, o restaurante de Copenhague comandado pelo dinamarquês René Redzepi que destronou o El Bulli (hoje fechado, também em Girona). Nos últimos dois anos, Can Roca foi o segundo colocado na lista e vinha sendo apontado como favorito.

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O restaurante 3 estrelas Michelin é comandado pelos irmãos Roca – Joan, Josep e Jordi – que se dividem entre o antedimento aos clientes no salão e no preparo dos pratos na cozinha.

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A paixão dos irmãos pela gastronomia nasceu no Can Roca, outro estabelecimento comandado pelos seus pais. Inicialmente Joan, o irmão mais velho, é quem dirigia a cozinha e Josep era o sommelier da casa. Só mais tarde, em 1996, o caçula Jordi passou a comandar as sobremesas do restaurante.

4D415F58FE1444C89F400670248AB0B2Localizado na pequena cidade de Girona, na costa da Catalunha, na Espanha, a cozinha do restaurante é descrita pela organização do prêmio como: inteligente, divertida e absolutamente deliciosa.

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Programão para gringos e cariocas, este é um lugar que você é obrigado a conhecer. Localizado em pleno Morro da Urca e com uma das vistas mais famosas do Rio, é um dos lugares mais incríveis da cidade. E foi justamente pensando nos cariocas que não conhecem os pontos turísticos da cidade, que foi inaugurado o Espaço Baía da Guanabara na primeira parada do Morro da Urca, contando com lojas, quiosques e o Bar Abençoado. O espaço ainda conta com uma calçada que reproduz o calçadão de Copacabana.

As caipirinhas do Abençoado se destacam pelo sabor e visual. E todas são feitas com cachaça produzida pelo próprio bar.

Uma alternativa para quem tem o espírito mais aventureiro, é fazer a trilha do Morro da Urca para chegar até o Pão de Açúcar.

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A arte do mau humor

Daniel Miranda

Algumas religiões pregam:”Viemos à essa vida para cumprir nossa missão.” Se a minha missão for a que eu realmente estou pensando, precisarei reencarnar mais mil vezes! Porque eu passo o tempo todo trabalhando com algo tão fascinante que até já virou um hobby: a  hospitalidade, a arte do “bem receber”, do acolhimento.

Em dias de folga procuro conhecer novos restaurantes e bares, experimentar produtos e serviços. Mas que serviços? É algo que raramente consigo encontrar. Pra começar a noite, pego um táxi pra poder beber meus drinks. Ao entrar no carro, sou eu que digo “boa noite” e, claro, tenho como resposta do motorista o clássico: “Vai pra onde?”. Pra quê dizer “boa noite”, certo? Ao chegar ao destino somente ouço o valor da corrida. Sem agradecimentos ou coisa parecida.

Ao chegar ao bar ou restaurante, a hostess na porta também não retribui meu “boa noite”. Só sai da boca dela: “Tem reserva?”.  Isso quando os seguranças que mais parecem lutadores de MMA te encaram como o Anderson Silva encara o Sonnen. Já na mesa, não ouço sugestões. Os garçons parecem máquinas de entregar cardápios e tirar pedidos. Uma vez perguntei a um deles por que, em todas as vezes que repôs minha bebida, não retribuiu meu agradecimento: “Com licença, te disse “obrigado” umas quatro ou cinco vezes e nem ao menos ouvi um simples “de nada”. O garçom se sentiu super-ofendido com aquilo e, ao invés de reverter a situação com simpatia e amabilidade, resolveu não mais atender a nossa mesa. Uma pena, pois me considero um good tipper. Pra não falar a vez que pedi mais gelo e recebi a seguinte resposta: “Mais gelo?! Tá muito cheio aqui, assim você me quebra…”. Pode?

Quando saio pra jantar ou beber uns drinks com os amigos, não espero assistir uma aula sobre as principais castas ou as novas tendências da gastronomia. Espero apenas ter uma noite agradável, em que o prato acaba sendo um mero coadjuvante.
Sorrir não dói. Pelo contrário.

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Comendo sentado na privada

Daniel Miranda

Você já teve a experiência de comer sentado em uma privada? Esquisita essa ideia, não!?

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Pois um restaurante em Taiwan chamado Modern Toilet lançou essa moda. O design é totalmente inspirado em um banheiro onde a comida vem servida em privadinhas como se fossem bowls, os guardanapos dão lugar ao papel higiênico e as mesas são feitas de banheiras e pias.

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