Mudar a muda para mudar o Vinho

Com as mudanças significativas do clima para produção de vinhos especiais como o vinho do Porto e espumantes, algumas medidas estéticas agrícolas estão sendo estudadas para melhor responder as mudanças climáticas apresentadas todos os anos.

Engenheiros agrônomos, biólogos e enólogos trabalham com afinco para descobrir melhores métodos para a areação da vinha, exposições solares, adubação do solo, inclinação dos bagos e até mesmo novas técnicas de “podas” para uma melhor fotossíntese próximo das vindimas.

O fator “clima e Terroir” continuará sempre a maximizar grande porcentagem na qualidade de bons vinhos e espumantes e caberá ao Homem o trabalho de “lapidar” aquilo que a Natureza nos presenteia em estado bruto.

Em Portugal a empresa líder no mercado brasileiro em vinho do Porto, a Ramos Pinto, apresentou-nos recentemente sua nova estratégia no cultivo e cuidados com a vinha. A Empresa que exporta seus produtos para 85 países já conta com 12 hectares de Quintas em testes.

Sua nova abordagem de cultivo consiste em precaver a menor perda de água possível da vinha nos verões, marcados com grande seca e baixo volume de água das chuvas. Em média 100 litros por metro quadrado na região do Douro, o que é muito pouco.

Portanto, a solução encontrada foi reduzir o tamanho dos arbustos da vinha, fazendo a “esponta” mais baixa para que haja menos área de folha e logo, menos área de perda de água por evaporação. Assim, causa uma maturação mais lenta e num princípio de análise, se a maturação é mais lenta, tende o vinho a ser melhor.

Outras formas mais comumente usadas é a plantação de castas mais resistentes a secas nas vinhas novas, como a Touriga Nacional e a Touriga Francesa, evitando perdas consideráveis. Em um cultivo de vinhas, ter perdas menor do que 25% do total produzido já é muito bom.

Penso que na produção de vinhos nem sempre ‘perder’ significa negativo, especialmente se as uvas apresentadas nestas novas técnicas mostrarem uma boa evolução com o tempo tanto em garrafa quanto em tanques inoxidável. Concluo que quanto melhor for a evolução desses vinhos em seu período de estágio podemos nos surpreender com vinhos que assim, como ‘quase’ sem querer, nascem “Vintages” excepcionais!

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

Os vários nomes do espumante

Daniel Miranda 

O vinho espumante mais conhecido do mundo é o champanhe. Mas este só pode ser produzido na região de Champagne, na França. Os que são produzidos em outros países são chamados de espumantes. Será? Não é bem assim. Dependendo da região e das uvas com que são elaborados, os espumantes podem ser chamados por diferentes nomes:

• Prosecco – Itália (Veneto)
• Asti – Itália (Piemonte)
• Cava – Espanha
• Sekt – Alemanha
• Sparkling Wine – USA
• Crémant – França (qualquer outra região que não seja Champagne)

Comida japonesa e vinho combinam?

Daniel Miranda

Antigamente nós nunca imaginaríamos que em uma matéria sobre vinhos, falaríamos sobre harmonização com pratos asiáticos. Mas hoje em dia, com o aumento do consumo da bebida no Brasil e do número de restaurantes deste segmento, os clientes passaram a pedir vinho em restaurantes japoneses.

Devido a essa mudança, aqui vai uma dica: vá de vinho branco! Como torrontés e sauvignon blanc. Se exagerar no shoyu, peça um branco de acidez mais elevada. Mas tome muito cuidado com temperos fortes, principalmente gengibre e wasabi! No caso do gengibre sugiro vinho da uva Gewürztramine, que possui aroma e notas de lichia e arroz. Se não tiver, vá de espumante.

Se você prefere vinho tinto, sugiro um Pinot Noir ou até mesmo um Rosé para acompanhar um bom “japa”!

Herdade da Murganheira

Vindo da primeira região demarcada por espumantes em Portugal. Távora, Varosa, as caves de Murganheira produziram seu primeiro vinho espumante em região determinada.

Os vinhos espumantes Portugueses, assim como o nosso brasileiro, estão entre os melhores espumantes do mundo. E aqui o processo e o terroir são a chave do sucesso português.

De uvas selecionadas das castas Malvásia fina, Chardonnay, Ceceal, Pinot noir e Touriga Nacional. Seguindo estágio em madeira conferindo ao vinho elegância, engarrafado um ano após a 1º fermentação, ficou em cave onde fez a 2º fermentação em garrafa.

O toque de classe final foi-lhe dado através do “Degorment à la volée”, uma operação inteiramente manual e única em Portugal que já está em desuso, mas que para este vinho específico foi lhe presenteado com a prática de descapsulagem das garrafas e retiradas das borras de fermentação, dando ao Murganheira 1998 Bruto Reserva algo de especial.

Com sua espuma persistente e aroma de madeira acentuado, eu aconselho este vinho “bravo” português para qualquer tipo de aperitivo que lhe convém.

Visito cada etapa do processo de engarrafamento e assisto ao “nascimento” daquela que será a minha garrafa de presente, o meu “bebê” o qual em meus braços sinto as vibrações dos gases carbônicos surgidos através do método (CHARMAT) mecânicamente, o oposto do método que mais gosto o (CHAMPANOISE), onde os açúcares naturalmente se transformam em álcool, libertando gás carbônico com o evoluir na garrafa. Se meu pequeno “murganheira” puxar ao pai, vai se comportar discretamente em minha adega pessoal e fará a alegria dos meus amigos quando virem me visitar.

Não sei se terás “perlage” azuis como meus olhos ou verdes no verão, mas com certeza causará uma bela impressão nas meninas que o provarem.

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.