Would you like a cup of tea or a glass of wine, sir?

Londres, Inglaterra. Talvez a cidade mais cosmopolita do mundo, a que mais inspira influências, onde a hora do chá das 5 é o momento mais aguardado do dia. Adoro e me impressiono com Londres, suas ruas limpas, suas lojas, teatros, cultura a cada esquina e o rio Tâmisa logo ali, cortando ao meio a cidade que está sempre em movimento. Vamos conhecer hoje a loja de vinhos mais popular da capital inglesa, onde bons vinhos e bons preços caminham de mãos dadas à realidade econômica dos mortais.

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Inglaterra é um país que não tem um verdadeiro expoente em vinho tinto, apesar de terem trazido, meio que por acaso em uma estratégia marinheira, o vinho do Porto. Na capital britânica está localizada a menina dos olhos de qualquer Sommelier que, assim como eu, busca aumentar seu know how e expandir seus conhecimentos em uma das melhores escolas de enologia do mundo: a WSET(Wine and Spirit Education Trust), tendo como um de seus presidentes de honra ninguém menos do que a famosa escritora, jornalista e crítica de vinho Jancis Mary Robinson.

A Harrods Shop, trás ao mercado britânico exemplares de todo o mundo e ainda podemos degustar taças de vinhos por apenas 1 Pound, aproximadamente uns 3 reais! Poderá também comprar diversos souvenirs, pois a gigante loja tem tudo o que você precisa.

Devo confessar que Inglaterra não me traz um momento especial para vinhos. Sempre que venho à Londres tenho apenas vontade mesmo de apreciar os chás, gin tônicas e me agasalhar ao máximo por está sempre chovendo por aqui durante minhas visitas…

Existe um ditado popular muito famoso entre os executivos britânicos que diz: BUSINESS BEFORE PLEASURE!

Eu arriscaria cantando mais ou menos assim: I´m wandering around and around nowhere to go, I´m London London, London, so lovely so, I cross the streets without fear

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva

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O principado do Vinho

Roma, Itália. Hoje, onde talvez o poder da Igreja Católica fez a maior de todas as fermentações possíveis em torno do vinho. Aonde qualquer opositor jamais triunfou sobre essas muralhas tão antigas quanto o real significado do vinho para os sacerdotes do templo. O principado de Roma e a história com o vinho é marcado de contos dignos dos melhores filmes de guerras medievais, de ocupações de exércitos, bárbaros guerreiros e imperadores que dominavam a arte dos conflitos e travavam suas próprias guerras pessoais.

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O vinho romano serviu para ‘lavar’ e limpar o quê a força das espadas do exército de tantos ‘Césares’ e tantos ‘Alexandres’ marcaram com suas passagens em terras estrangeiras marchando sobre imunidade ‘santa’.

Mais preocupados com suas ocupações expedicionárias e suas guerras quase que em todo continente europeu, o vinho feito em Roma representava apenas mais uma forma de expressar suas ideologias cristãs. Tido muitas vezes como o causador de inúmeras deselegâncias cometidas por Pio X, o Papa controverso e boêmio, o vinho produzido pela Igreja no século X e XII praticamente nada mais era do que o resultado da prensa das uvas e uma única fermentação de seu mosto em caves úmidas em baixo dos templos.

O vinho romano conheceu o apogeu de sua produção quando deixou de ser exclusividade da Igreja e começou a virar moeda de troca. Numa visita a Roma de hoje, são verdadeiras disputas pela atenção de cada turista dos inúmeros grupos de pequenas empresas que, muitas vezes, usam o nome da Igreja para venderem passeios turísticos com promessas de vermos até o salão privado de chás do atual Papa.

Aproveitando a escolha do novo Líder cristão, em sua homenagem procuro um bom Malbec  e degusto pensando que se o novo Papa por eleição é bem mais meu ‘vizinho’ que jamais pensei que algum deles fosse um dia, desejo boa sorte. E sempre pensando na possibilidade de algum dia termos um representante como ‘guia’ católico nascido em solo brasileiro. Caso contrário, depois de Messi, Maradona e Francisco, ficará muito difícil disputar com eles.

Ainda bem que a Caipirinha é nossa, o Caetano também, João Bosco é maravilhoso, Djavan é brasileiro e o Samba não tem nada a ver com o Tango de Buenos Aires, Amém!

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

As pétalas de Florença

Florença, Itália. Penúltima viagem neste país que não se cansa de me encantar e hipnotizar.

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Cidade de Michelangelo, palco maior de grande cultura italiana e onde a primavera se apaixona todos os anos pelas as flores mais bonitas da península itálica.

Logo na minha chegada sinto meus sentidos aflorarem como um gira sol ao sentir o calor de um foco de luz. O perfume suave de alfazema se entranha em meu olfato e, como “ratatui”, dispara-me o desejo de descobrir a sua fonte.

O cheiro das plantas ao chegarem com o vento, os sons de pássaros livres cantando em meio a dezenas de rosas coloridas, me fazem lembrar o quão bela é a natureza misturada na pressa das pessoas das grandes cidades.

Eu que há muito me recuso ser indiferente a detalhes, aproveito cada momento. Me “valho” da apurada percepção que adquirimos ao passar dos 30, pois se viesse à Florença aos vinte anos, não enxergaria os detalhes tão óbvios que qualquer taça de toscano pode nos mostrar!

Engraçado, mas percebo que quanto mais temos flores e cores vivas próximas de nós, mais sensíveis a detalhes pequenos ficamos. Seria capaz de notar cada perfume que exala das diversas pétalas ao meu redor e a cada gole, um novo mergulho nesse vinho que engana minha sede e sacia minha alma.

O nome do vinho é “Nebiollo d’alma 2007 tinto”. A região é Toscana, o cenário é Florença, a companhia é maravilhosa e a vida em Florença é bella!

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

O amor e o vinho navegam em Veneza

Depois de descobrirmos as belezas gastronômicas e etílicas de Bolonha, não podemos deixar de nos embalar pela suavidade e graciosidade do balanço das barcas que há mais de 300 anos embala os sonhos e os caminhos dos moradores desta cidade mais incrível que já visitei.

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Veneza é o quintal de frente ou a piscina da região de Toscana, com seus vinhos brancos fabulosos. Foi aonde nasceu um dos maiores compositores barrocos, Antonio Vivaldi (1678-1741) e também onde acontece um dos festivais de cinema mais brilhantes do mundo. Assim, cercada de magia e história, ao certo, faz de Veneza um cenário mais que perfeito para degustarmos um vinho e o bom gosto a dois.

Fico hospedado próximo à Praça São Marco, no centro histórico, o que me permite caminhar pelas belas vielas tranquilas e históricas. Noto que cada uma delas cultiva suas próprias uvas brancas, Pinot Grigio, Pinot Bianco e tintas Veronese e Molinara.

Desse passeio, além de algumas especiarias, chás, e uma pequena barca de recordação, decido não levar mais nenhuma garrafa de vinho, pois me sinto embebecido demais, pois a paixão que me acompanha e o álcool dessa química, me transborda e me alucinam numa viagem cheia de ideias para a noite que se anuncia.

Saio de Veneza, de certa forma inspirado em Da Vinci, pensando o que mais uma taça de Toscana seria capaz de me fazer descobrir, escrever ou mesmo sonhar! Mas longe de ser capaz de desenhar uma outra Diva eternizada em um quadro inerte, tenho ao meu lado alguém mais real com um sorriso mais aberto e mais encantador do que a outra inspiração italiana. Quando a minha surpresa aparece, pintamos juntos uma obra de arte, onde ela suspira uma ópera e onde me sinto um rei comum, sem exército, sem castelos e fortunas. E não troco meu trono por riqueza alguma, pois a vida se torna bem mais simples, linda e feliz.

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva

Enótria Tellus

Estou num bairro ao sul do rio Reno e a poucos quilômetros de onde se engarrafa um famoso vinho local. Foi aqui que algumas cenas do filme EATPRAYANDLOVE com Julia Roberts foram gravadas, mostrando que um belo prato de Espaguete à Bolonhesa nasceu para um tinto meio corpo. E como a velha máxima italiana “dolce far niente” é sim contagiante neste país tão belo que retrata quadros dos melhores pintores que o mundo assistiu.

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E eu, não perco tempo e me apresso em conhecer os melhores locais para apreciarmos um bom vinho, uma boa massa e tentar , através de palavras, fazer vocês saborearem e sentirem o aroma fino, leve e floral de uma taça de toscano ou um tempranillo.

“La dolce Vita” é uma casa especializada em pizzas e queijos e hoje abriga uma confraria onde podemos experimentar e conhecer todas as novidades vínicas antes de ganhar mercado mundial. O gerente me aconselha experimentar o menu degustação com aproximadamente 10 taças de vinhos e mais de 20 tipos de queijos diferentes. De todos os vinhos que provei, o que mais ficou presente foi um oito anos de toscana harmonizado com queijo de cabra nova e tomate seco em torradinhas de pão integral. O perfume daquele vinho combatia qualquer jardim de cheiros que jamais encontrei num vinho italiano antes!

Tiro a tarde para conhecer melhor a cidade e com calma passear sem pressa pelas belas praças de Bolonha. Mas como numa cena de novela, reencontro alguém que ha 12 anos não tinha contato algum, namoramos quando eu tinha 20 e ela 19 anos. Custamos a acreditar na coincidência e no cenário que nos envolvia e apenas sorrimos um para outro e aconteceu o inesperado.

Bolonha me deu ótimas experiências etílicas, culturais, pessoais e eu recomendo esta cidade charmosa para quem quer que seja. E se você vir disposto a reconhecer a si mesmo e abrir seu coração ao inesperado, ao novo, mesmo sendo um velho presente novo, com sorte, esta cidade poderá se encarregar de encontrar uma bela companhia para o jantar…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.