O despertar de Angola

Depois de navegar pelas águas das Bahamas, México e América do Norte a bordo de um dos maiores navios do mundo, recebo um convite para desbravar aquela que aspira e promete ser a grande “Dubai” africana próspera com diamantes, ouro, gás natural, urânio, ferro, uma imensa e diversa riqueza em madeira, fauna e o desejado do mundo inteiro, o petróleo…

E vencido o grande desafio burocrático de conseguir um contrato de trabalho e um visto angolano, hoje lhes dou as boas-vindas da capital angolana, Luanda! Depois de mais de três décadas de guerra colonial e depois uma vasta guerra civil, Angola hoje está virando uma máquina de consumo imediato e está aberta a vários mercados.

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Venho para integrar o quadro de um dos hotéis mais importantes do país e venho muito animado e feliz com a possibilidade a mim oferecida, pois tenho a chance de conhecer em raiz a irmã do Brasil e em plena ascensão politica e econômica. Nos últimos cinco anos Angola registou um rápido crescimento de 18% ao ano, passando a ser considerada  uma das mais dinâmicas economias do mundo. Angola apresenta dois tipos de clima bastante marcados durante o ano, que é o do verão, onde temos temperaturas altíssimas, e a época mais característica chamada pelos nativos de CACIMBO, onde um intenso nevoeiro cai sobre praticamente toda a capital do país. Com frutas típicas de qualquer paraíso natural, peixes frescos recém-pescados do mar pelas mãos hábeis de pescadores locais e uma culinária exótica, considero Angola um dos melhores lugares que visitei na vida com um povo simples e mais que amigo. Depois de perceber, entender e aceitar que serei eu quem veio para aprender com essa gente que tem muito a ensinar, quero unir forças e tentar contribuir com uma pequena parcela de minhas experiências e ofícios hoteleiros na reconstrução desta cidade com tudo para progredir. Por agora, não há um vinho que vale tanto quanto tenho aprendido com essa vivência, não há um Champagne que se compare à beleza de ver dificuldades tão grandes vencidas com tanta força de vontade e sorriso no rosto. Hoje para mim brindar e harmonizar também podem ser de outra maneira, a africana, e especificamente a angolana, que se reflete num brinde de olhos expressivos e a perfeita harmonia da beleza rústica de pessoas simples que tem alegria vinda do não sei onde, do além, do coração!

Até breve, David Chaves Saraiva.

Tradição na latinha

primeiro espumante italiano do mundo em lata, CINQUE É LANÇADO NO BRASIL

Cinque é o nome do primeiro espumante italiano em lata do mundo, que já pode ser encontrado no Brasil. A Bevix é a distribuidora do vinho, que tem Indicazione Geografica Típica, ou seja, o vinho é produzido em uma única região da Itália (Emilia-Romagna, entre Parma e Bologna), com uvas específicas (trebbiano, malvasia com um toque de lambrusco) e processos controlados. Os produtores dizem que depois de muitos testes conseguiram chegar a um vinho refrescante e frutado com baixo teor alcoólico. E garantem que as latinhas de alumínio fabricadas na Alemanha são inovadoras, já que levam uma dupla camada interna de um verniz especial para a proteção do vinho, impedindo o contato do líquido com o metal. As latinhas de 200 ml (o correspondente a 2 flûtes de champagne) estão disponíveis em algumas casas noturnas brasileiras e também podem ser compradas online.

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Diário de bordo

Após vários anos tentando resistir a ‘tentação’ de embarcar novamente, decido aproveitar o know how da minha profissão em alta e aceitar preencher uma das diversas vagas oferecidas por uma das maiores companhias de Cruzeiros Marítimos do mundo. Depois de seleções exigentes em Lisboa e disputas que chegaram a ser de 10 candidatos por vaga, irei fazer parte do seleto grupo de Food and Beverage de um dos maiores navio do mundo.  Porém, meu objetivo ao certo é alcançar o mais rápido possível uma posição hierárquica, próximo daquilo que mais gosto de falar: os vinhos.

E esta posição dentro do Dreams Cruise, um dos mais luxuosos Navios da Disney Cruise Line tem o nome de ‘Head Wine Steward’ ou numa tradução pessoal Sommelier de Bordo.

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Muito me agrada saber que terei generosas comissões pela venda de vinhos nesse magnífico Navio com capacidade para quatro mil passageiros e mais de mil e duzentos tripulantes. Mas não estarei a bordo pelo salário e nunca penso apenas em dinheiro e sim na experiência em si, que é única!

Tive o prazer de inaugurar o primeiro Navio de Cruzeiros nas praias do Rio de Janeiro com um time de profissionais extraordinários que fizeram do Pink Fleet o primogênito no serviço de turismo náutico do Rio, que em quase um ano de operação fizemos história nos mais diversos eventos prestados aos cariocas. E, após cerca de seis meses de muitos exames, provas, entrega de documentos, cursos exigidos, vacinas em dia e a obtenção de meu visto americano, sou informado que meu embarque será dentro de 20 dias em Miami, Estados-Unidos.

Assino um contrato que me diz passar seis meses a bordo e dois meses de férias com ordenado que poderá facilmente ultrapassar os três mil dólares mensais. Tudo é lógico, dependendo de algumas variantes como performance, roteiro e comissões em venda. A partir de hoje, quero tentar mostrar com palavras o dia a dia de um verdadeiro profissional de hotelaria a bordo de um gigantesco e luxuoso Navio Cruzeiro. Todas as dificuldades, dúvidas, alegrias, tristezas, conquistas e prováveis promoções vividas por mim e levadas a vocês no presente momento de quem está lá dentro. Daremos dicas valiosas do que acontece no real, falaremos do presente momento que vive a hotelaria marítima mundial, daremos conselhos importantes para quem queira embarcar ou quem pensa ser hoteleiro e ferramentas certas para você usar e alcançar o que quiser!

Costumo dizer que, desde Pedro Alvares Cabral que a indústria do turismo internacional sempre se mostrou como ‘profissão do futuro’, pois sempre esteve na natureza do Homem redescobrir as coisas, tentar, viajar, experimentar. Em 22 de Abril de 1500 de Portugal para o Brasil os portugueses fizeram história. Hoje a história é outra, mais de 500 anos depois do Rio de Janeiro para o mundo, um Carioca nascido em Madureira e crescido em Copacabana emigrado em Portugal terá um monte de histórias para contar para quem quiser ouvir ou simplesmente, quem quiser explorar!

Navegar é preciso…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

Ciclo de evolução da videira

Com a proximidade dos preparativos das vindimas nas quintas e com todos os cuidados a serem tomados para que a colheita seja o menos dispendioso possível, vamos tentar entender quais são os cuidados que devemos ter numa quinta para que os frutos reflitam no produto final.

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A uva precisa de cuidados específicos para que sua saúde seja a mais adequada possível neste longo processo de transformação que seu mosto passará antes de descansar em barris de carvalho, tanques de inox ou garrafas. Um desses processos e talvez um dos maiores segredos de grandes vinhedos está numa tradição que cada quinta e seus produtores e vitivinicultores prezam e os guardam a sete chaves: a poda.

A uva precisa de hibernação, que ocorre no inverno a baixas temperaturas. Geralmente em torno de 0º Celsius, quando o metabolismo da planta diminui muito, quase cessando completamente.

Depois, chega a vez da floração, que acontece na primavera acompanhando o desenvolvimento vegetativo. A planta inicia a formação de flores que antecedem os frutos. Ventos fortes e geadas muito rigorosas podem ser prejudiciais nesta fase!

Logo, vem a frutificação e o amadurecimento que é a atividade principal do verão. Necessita de uma atenção especial em sua condução que permita uma boa exposição ao sol. Nesta fase temos que torcer para que não ocorra muitas incidências de chuva, o que poderia ocasionar um aumento de concentração de açúcares, levando ao apodrecimento da uva pela umidade.

A poda em si, em muitos casos, se divide em 4 partes:

A) Poda de limpeza, usualmente realizada antecedendo a poda de inverno, no fim do ciclo vegetativo, cortando parte dos galhos que serão excluídos mais tarde.

B) Poda de inverno, também chamada de poda seca, na fase de repouso ou hibernação, procede-se na eliminação dos ramos indesejáveis estimulando a formação de ramos mais produtivos e vigorosos.

C) Poda de verão, também conhecida de poda verde, realizada no correr da atividade vegetativa objetivando corrigir e conduzir os ramos na direção e forma mais convenientes.

D) Poda ou exclusão de cachos(debaste) que consiste no raleamento na formação dos cachos, também estabelece o número que se quer produzir por ramo, excluindo o excedente e consequentemente melhorando o rendimento. Para as uvas tintas esse debaste é feito quando começam a escurecer. Já os brancos, o fator principal será quando começar a se tornar mais macias e mudar levemente de coloração, ficando-se mais claras. Quanto menor o número de cachos, maior a concentração de elementos nos frutos. Portanto, quanto menor o rendimento, melhor será a qualidade do vinho!

Com um pouco de sorte, no final de Agosto, se houver alguma quinta planejando uma vindima um pouco mais cedo do que o habitual tentaremos nos ‘infiltrar’ em uma das várias quintas existentes aqui no Douro, em Portugal. Meu maior desafio será conseguir este furo de reportagem e gravar com nossas lentes hyper curiosas os cânticos, o pisar, o ambiente e o entusiasmo daqueles que fazem o árduo trabalho quase 100% manual nas difíceis encostas do rio Douro!

Não sei se sou capaz de aguentar esta acrobática tarefa, mas uma coisa posso garantir: ofereço de graça minha energia e minha sede para degustar aquilo que virá a ser um grande vinho português e, depois de uns goles e outros, quem sabe até arrisco um fado, uns cânticos e uns oh pá pra lá e uns vira vira pra cá…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.

Du vin rouge ou du vin blanc, monsieur?

Paris, França. Dia chuvoso, 12º Celsius e uma vontade imensa de degustar um Cabernet Sauvignon genuíno. E hoje, iremos conhecer um pouco mais de um concurso que praticamente todos os países produtores desta casta fazem todos os anos de boa vindima.

Não gosto muito de acreditar que produtos regionais podem ser ou ter as mesmas essências, adjetivos e características similares em outras partes do mundo. Portanto, para mim ao menos, um Cabernet Sauvignon melhor ao tradicional francês seria apenas uma questão de gosto. E isso eu não discuto nunca. Especialmente por esta casta retratar de melhor forma as características de cada solo onde foi plantada, cada Cabernet Suavignon leva seu DNA local, não sendo tão importante apontar a melhor.

A casta Cabernet Sauvignon é reconhecida por muitos, a rainha mãe dos tintos, com sua potência moderada, graciosidade, e aromas únicos. Nasce do cruzamento das castas Cabernet Franc com a Sauvignon Blanc, tendo seu nome aparecendo em registros antigos sobre a enologia em finais do século XVIII.

Geneticamente muito fértil e versátil, teve sua adaptação praticamente no mundo todo, imigrando com louvores para a América do Norte, Chile, muito usada em cortes no Brasil e aqui na Europa.

Beringer-Cabernet-Sauvignon-Knights-Valley-Reserve

E meio distraído aos concursos de melhor Cabernet Sauvignon do mundo, sei apenas que o vinho Beringer Cabernet Sauvignon Knights Valley-Reserva 2009 da Califórnia, recebeu 94 pontos pela revista de vinhos Wine Spectator e ocupou um excelente oitavo lugar no top 10 dos melhores do mundo do ano de 2012.

Quanto a mim, gosto mais da ideia de dar luz a minha taça e me levo até um dos acessos da torre Eiffel e faço um brinde à cidade mais romântica do mundo. Peço um brinde aos apaixonados, ao bom gosto, ao bom humor e ao amor, que chega assim sereno e inesperado e que nos faz brindar e sorrir sozinho.

Um brinde ao amor e a Paris, que me fez fechar os olhos e dizer assim bem baixinho:

Tim-tim…

Bye e até breve,

David Chaves Saraiva.